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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Luto: Não há o que comemorar

Imagem reprodução: Google

E ontem, infelizmente, o Brasil enterrou sua moral política e ética, apesar de toda desconfiança que eu já sentia pela política geral, eu digo que com essa condenação do ex-presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva o nosso país decretou de fato a falência moral e ética de nosso país diante os olhos interessados do mundo. E isso meus caros, não há como comemorar. Num país que têm 4 ex-presidentes retirados do cargo pelo Congresso Nacional, uma carcaça já morta que fede e só falta enterrar sem temer, um "botafogo" sendo atacado a todo momento e um ex-presidente condenado, a moralidade política do nosso Brasil Varonil vêm dando seus últimos suspiros enrolados em máquinas privadas e individuais que o ajudam a respirar, infelizmente teve que ser assim... Para melhorar ás vezes tem que piorar. Mas, precisava ser um golpe tão grande assim neste nosso peito verde e amarelo? Esta é a pergunta que faço aos políticos, afinal, precisava manchar mais uma vez o nome de uma pátria que embora possa não ser tão respeitada mundialmente e até internamente, mas que por nós ainda é admirada? Será que deveremos de vez perder a fé na moralidade brasileira? Será que devemos sucumbir ao desespero de não mais admirar e respeitar nosso país? Ou será que devemos expurgar toda uma "raça" política? Será que ainda não pode haver uma fagulha sequer de esperança nos nossos representantes políticos? Enfim, independente de lado, eu digo que infelizmente não há o que comemorar... Descanse em Paz moralidade brasileira. Que tu possas renascer das cinzas orquestradas pela "queima" de cada corrupto, que a esperança seja realmente a ultima que morre.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Como provar que eu existo

Imagem reprodução: Google

Se tudo isso fosse um sonho, só uma coisa eu ainda seria capaz de fazer, pensar coisas inexistentes.

Se tudo isso fosse uma ilusão e este meu corpo não existisse, ainda teria uma certeza, eu pensaria que o corpo é meu.

Se tudo isso fosse uma loucura, ainda que de modo peculiar eu ainda continuaria a imaginar.

Se eu fosse um programa de computador ainda assim eu faria coisas através de uma rede de comando, ou seja, usaria meu cérebro.

Se eu fosse uma memória, mesmo assim eu existiria, pois estaria revivendo minhas lembranças.

Se eu duvido da existência de tudo, não importa; duvidar prova que eu ainda penso.

Qual é minha conclusão?

Que eu ainda vivo, pois posso usar essa maravilha de pensamento.

*Inspirado em R. Descartes

sábado, 27 de maio de 2017

Um casamento perturbador

imagem reprodução: Google

O Ciberespaço é um lugar-maquina, conciliador de dois elementos extremamente importante, um é a tecnologia do virtual, outro a racionalidade do espaço.

Embora seja conciliador desses elementos, eles não são iguais.

O Ciberespaço é o casamento não tão perfeito entre a Srtª. Tecnologia Virtual e o Sr. Espaço Racional, onde o Ciberespaço é um espaço em que permite a racionalidade do espaço (Eu estou aqui!) e a virtualização tecnológica ( Eu estou "virtualmente" em vários lugares).

Porém cada um dos elementos possui suas falhas genéticas, a virtualização da tecnologia é a colaboradora da destruição de sentidos, não se sabe mais distinguir o real e o imaginário (porém não totalmente), enquanto a realidade do espaço é um local reciproco de informações.

Porém não necessariamente teríamos que pagar para termos informações fora do virtual (no espaço real, enquanto corporal), visto que absolutamente tudo é informação (códigos), desde o cheiro até o tato.

Somos computadores falantes recebendo sempre bits (informações) e o PC (cérebro) interpreta essa informação e transforma-a em realidade e assim como um computador conectado a internet, não recebe toda informação da net (sentidos), somente aquilo que ele foi programado pra receber ou aquilo que ele está sintonizando em determinado momento.

Por isso vivemos em um mundo como o mostrado no filme Tron, em que a realidade não é tangível.

Porque afinal, nada é real, tudo é virtual, nossos sentidos e sentimentos são só informações mandadas e controladas pela CPU do corpo humano (o cérebro), só existe o absoluto, que é o tudo.

A arte digital é talvez, a maior prova de que nada é real, pois são varias as possibilidade de se imaginar e criar o imaginável...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Progresso VS Perfeição: O amor que sonhamos ou a verdadeira felicidade

Imagem reprodução: Google

Conheci uma moça na rua outro dia que estava muito triste. Ela me contou que estava namorando um homem "maravilhoso, mas cheio de defeitinhos" e ela não conseguiria lidar com esses defeitinhos. Ela só sabe lidar com perfeição. Segundo a moça, perfeição é sinônimo de felicidade

Respirei por um momento, tentando entender aquela moça e sua concepção de felicidade. Confesso que não consegui!

Nunca achei que felicidade fosse baseada numa relação onde o outro precisa ser perfeito para atender suas necessidade. Na verdade, o que significa ser perfeito? Não cometer erros? Saber conversar sobre tudo e ter sempre a resposta certa para qualquer pergunta? Saber exatamente o que seu companheiro (a) quer e que precisa? Nunca dar vexame em festa/bares e ser sempre bem comportado? Fazer exatamente aquilo que o outro quer?

A minha concepção de felicidade é outra. É saber ser presença e ser ausência. É ter opiniões próprias sobre os mais variados assuntos e saber debater seus argumentos quando necessário. É sair pra se divertir e não se importar se vai dar vexame. É entender que cada um tem a sua vida e não precisamos jogar nossa felicidade na mão do outro.

O amor, pra mim, é como um jogo de tabuleiro: vamos avançando a medida que fazemos escolhas que consideramos boas para nós e para os outros. É um verdadeiro progresso. A cada coisa boa que fazemos, avançamos. A cada jogada errada, recuamos, mas vemos o que fizemos de errado e avançamos. Amor não tem nada a ver com perfeição. Tem a ver com um progresso maravilhoso, onde conhecemos as imperfeições do outro e aprendemos como lidar com elas (às vezes até nos apaixonamos por ela). Amar é saber entender o outro como um só. Saber que cada ser humanos tem suas particularidades e, acima de tudo, que o outro não nasceu pra ser exatamente do que você. Afinal, quem disse que tinha que ser tudo perfeito para dar certo?

Jussara Souza, 23 anos, 
graduanda em jornalismo pela 
Universidade Federal de Juiz de Fora, 

Produtora e Repórter pela Rádio CBN Juiz de Fora e escritora da página Entre amores e delírios.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher!

Imagem reprodução: Google

Ela... Ela não presta. Nunca prestou. Nunca se deu valor. 

Onde já se viu ficar de agarramento com um homem na frente de todo mundo? "Safada"! Falaram pelas costas dela. "Puta"! Gritaram para quem quisesse ouvir. Em grupo de whatsapp, faziam piadas ofensivas a seu respeito. 

Na sua frente, a chamavam de amiga. Contradições? Não, apenas hipocrisia! Queriam ter sua coragem de assumir seus sentimentos. Queriam ser autênticos como ela e principalmente, queriam chamar a atenção. Não conseguiram. 

A inveja os consumia. A maldade destilava de seus corpos. O veneno das palavras escorriam de suas bocas. Queriam que ela se encaixassem em um padrão, mas ela não era mulher de se encaixar em padrões. 

Ela era única. Sabia o que queria e, mesmo tomando porrada da vida em alguns momentos, ela não desistia daquilo que queria. Ela sempre teve seus próprios traços, uma coisa que a tornava singular num mundo acostumado com o plural. 

Sempre teve linhas únicas, difíceis de dominar. É mulher, moça, menina, puta e santa. Ela sabia ser autêntica. Sabia que incomodava. Ela tinha uma luz própria que tentaram ao máximo apagar. Não conseguiram. 

Ela continua brilhando. Ela nunca se importou com opiniões alheias. Era sempre foi dona de si mesma. É fera, bicho, anjo e mulher. É dela e só dela e não de quem quiser!

Jussara Souza, 23 anos, 
graduanda em jornalismo pela 
Universidade Federal de Juiz de Fora, 

Vice presidente, Diretora de Protocolo e 

Diretora de Imagem pública na empresa 
e escritora da página Entre amores e delírios.

Acabou. Boa Sorte!

Imagem reprodução: Google

Coloquei o último casaco na mala. Pronto. Tive certeza que aquele era o fim. Nunca pensei que esse dia chegaria. Que deixaria para trás as nossas conversas, nossas risadas, nossos momentos.

Mas esse dia chegou e doeu saber que estava na hora de dizer adeus. Meus olhos pretos percorreram a casa em que passei alguns dos melhores anos da minha vida na intenção de guardar na memória pequenas lembranças daquela vida que, agora, já não era mais minha. 

Foi duro ter que tirar minhas coisas dos armários e sentir seu perfume em alguma das minhas roupas. 

Mas foi mais difícil ainda saber que você abriu mão desse amor. Eu lutei, com todas as minhas forças para manter esse amor vivo, pra manter você perto de mim. Mas você se distanciou e quebrou uma barreira que eu não conseguia ultrapassar.

Eu sabia que aquele era o fim e relutei em aceitar. Mas não tinha mais volta. Tudo estava acabado. 

Resolvi então lhe dar aquilo que você queria: sua liberdade. Peguei minhas malas, arrumei minhas roupas e resolvi partir. 

Deixei pra trás aquele perfume que você me deu e que dizia adorar o cheiro dele em mim. Não seria mais útil, já que agora você preferia o cheiro de outra. 

Sabe, não vai ser fácil recomeçar, mas eu sei que vou conseguir. Quando você chegar, espero que encontre essa carta e saiba que todo o amor que existia em mim agora ficou pra trás. Deixo também a última rosa que você me deu. Espero que cuide melhor dela do que cuidou de mim. Então, até um dia (quem sabe). Acabou. Boa sorte

Jussara Souza, 23 anos,graduanda em jornalismo pela 
Universidade Federal de Juiz de Fora, 

Vice presidente, Diretora de Protocolo e 

Diretora de Imagem pública na empresa 
e escritora da página Entre amores e delírios.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Um certo devoto

Imagem reprodução: Google

Um homem que se entregara à devoção
Havia muito tempo andava em ansiosa espera,
Queria ver Jesus.
Por isso, quase sempre, em profunda oração,
Vivia em súplica sincera...
Até que, certa noite,
Viu, reverente, o Mestre
Que o abraçava e prometia,
Com palavras de aviso terno e exato,
Visitá-lo no dia imediato.

O devoto acordou... Amanhecia...

Antes que o Sol surgisse, inteiramente,
Apresentando a Terra em novas cores,
O amigo de Jesus, agindo como em festa,
Varre a casa modesta,
Depois, ei-lo a enfeitá-la,
Desde a pequena sala
Ao fogão da cozinha limpa e estreita,
Com dezenas de flores,
Estampando na face a alegria perfeita.

Logo pela manhã,
Bateu-lhe à porta um pobre em roupa esfarrapada,
Mostrando pés e mãos em estranhas feridas,
A rogar-lhe uns minutos de pousada,
Através de expressões enternecidas,
Alegando sofrer tribulações
De comprida jornada.
Mas o devoto respondeu:
-Amigo, segue adiante,
O seu caso é comum,
Espero por alguém muito importante
Não tenho tempo algum.
O mendigo saiu, cambaleante,
Depois de agradecer.

Em seguida apareceu
Triste rapaz errante,
Demonstrando, no todo, traço a traço,
Febre, penúria e dor, indigência e cansaço,
Suplicando socorro ao devoto feliz...
Ele, porém, lhe diz;
- Põe-te à frente, rapaz, não tenho neste mundo,
A obrigação de abrir a porta de meu lar
A qualquer vagabundo...

Logo após, um menino pobre e triste
Surgiu descalço e só,
Corpo todo a encobrir-se sob o pó
Das veredas difíceis que trilhara.,.
Pedia pão e abrigo,
Mas falou o devoto em voz segura e clara:
- Hoje, espero um amigo,
Não posso recolhê-lo,
Peça pão ao vizinho
E segue o teu caminho...
Aliás, para mim, é simples desmazelo
Dos lares sem amor
Que deixam a criança, um garoto qualquer,
Pedir, pedir, pedir e andar como quiser
Para depois fazer-se malfeitor...

Mais tarde, ao fim do dia,
Um velhinho doente, arrimado a um bordão,
Respeitoso, rogava compaixão,
Receava dormir exposto à noite fria
E sair, ao relento,
Aumentando a fadiga e o sofrimento.
O devoto, no entanto, informou da janela:
-Não posso dar-te asilo,
Não bata à minha porta nem te escores nela...
Aguardo alguém; contudo, segue em frente,
Neste mesmo lugar encontrarás mais gente
Que possa agasalhá-lo,
Desculpa-me a recusa,
É um amigo importante esse alguém de quem falo...
Espero que terás leito e pousada
Na primeira pensão, à direita da estrada.

O dia terminou, e a noite veio escura,
O devoto chorou, tomado de amargura,
Mas dormiu e sonhou que reencontrava o Cristo.
Assombrado, gritou: - Por que, por que, Senhor,
Não me queres a fé, nem me aceitas o amor?
Preparei minha casa com cuidado
A fim de demonstrar-te todo o meu carinho,
E não quiseste vir ao meu recanto...

- Como não? - disse o Mestre em doce explicação
- Hoje, por quatro vezes fui
A tua casa, em vão.
Por muito que te achasse, eu me via sozinho..
Finda uma pausa, o Mestre esclareceu:
- Recorda, amigo meu,
O mendigo, o rapaz, o menino e o velhinho...
Sei que teu coração não percebeu,
Mas nos quatro viajores do caminho
Estava eu
A estender-te clarão renovador
E te buscar em meu imenso amor.
Nisso, o devoto em pranto
Voltou ao corpo e veio a despertar...
E, relembrando o ensino, trêmulo de espanto,
Começou a pensar...

Maria Dolores/ Francisco Cândido Xavier (Assembleia de Luz)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A greve

Foto reprodução: Google

- Olha chefia, amanhã não viremos mais trabalhar a não ser que tu nos pague mais.
- Mas eu estou pagando tudo que combinamos.
- Mas o tudo que tu paga é menos do que achamos justo pagar.
- Bom, então vão pedir demissão?
- Não. Vamos entrar em greve.
- Mas se isso ocorrer não terei como atender os clientes e também não tenho como pagar mais.
- Isso não é nosso problema.
- Ok. Esperem que eu vou no banco ver se consigo um empréstimo para pagar o que estão pedindo.
- Esperaremos até o meio-dia. Se não aparecer com uma proposta que atenda nossas reivindicações, pararemos.
- Mas isso é chantagem. Eu sempre cumpri com nossos acordos e contratos individuais.
- Não é chantagem. Isso é greve. A união faz a força. Ou aumenta ou paramos.
- Vamos fazer diferente. Aqui está a chave da fábrica. Ela é de vocês. Paguem seus próprios salários, paguem os impostos, encontrem os clientes e fornecedores, criem novos produtos, tenham ideias e coloquem elas em prática. Desisto.
- Como assim chefia? Nós só sabemos operar máquinas, não sabemos como uma empresa funciona. Não pode nos deixar na mão.
- Ué? A união não faz a força? Quero ver a força colocar essa indústria a funcionar.
- Mas isso é chantagem chefia.
- Não é chantagem. Isso é greve.


Foi e nunca mais voltou.

Roberto Rachewsky, 61 anos, empresário.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A espetacularização do “Eu” na internet: A tênue linha entre o público e o privado

Foto reprodução: Revista IstoÉ, 2013 nº 2300

Todos os dias me deparo com fotos e informações, que já se tornaram típicas, na minha timeline do Facebook: amigas na academia (sendo que a foto tem que ser postada sempre com uma frase de autoajuda ou motivação), check-ins em bares, cinemas, restaurantes, fotos em lugares paradisíacos. Peguei-me pensando: De onde vem essa necessidade constante que as pessoas têm de tornar pública a sua vida? Qual é o sentido de mostrar para o mundo a maneira que estão vivendo?
Essa necessidade de se mostrar, nada mais é, que um anseio ao reconhecimento ou, até mesmo, um alimento para o ego. A ensaísta e pesquisadora argentina,
Paula Sibilia, procura em seu livro O show do eu: A intimidade como espetáculo (2008), entender o porquê da crescente espetacularização dos indivíduos, revelando as suas intimidades tantos para conhecidos quanto para anônimos na internet, seja em textos, vídeos e/ou fotografias.
O livro é fruto da tese de doutorado da autora e discute sobre o “eu” sob diversas vertentes, como o eu narrador, o eu privado, o eu visível, o eu atual, o eu autor, o eu real, o eu personagem e o eu espetacular. Com o advento da internet e maior acesso às redes sociais, a possibilidade de embrenharmos virtualmente na vida das pessoas tornou-se algo rotineiro. Expor sentimentos, registrar ações, emoções, pensamentos e opiniões tornou-se algo totalmente comum na sociedade contemporânea.
Em sua pesquisa, Paula listou vários exemplos como os indivíduos encontram para se mostrar, seja em diários íntimos, como blogs ou no Second Life, seja através de webcams que transmitem continuamente a rotina de pessoas comuns, fotografias tornadas públicas de situações privadas, ou vídeos gravados que estão a todo momento sendo disponibilizados nas redes sociais. A autora afirma que toda essa espetacularização acabou por levar a transformações da subjetividade contemporânea e gerar discussões sobre questões como a visibilidade e a privacidade são percebidas na e pela internet. O limite entre público e privado se tornou uma linha tênue. Informações privadas podem acabar por se tornar públicas a qualquer momento, já que a internet possibilitou a criação de uma cultura de observação do outro e exposição de si mesmo.
Guy Debord (1997), em sua obra A sociedade do espetáculo cunhou a expressão “espetacularização do eu”, ao apontar que no século XX se iniciava um período de super exposição dos seres humanos: suas histórias e suas vivências. Com o advento da internet, essa espetacularização ganha contornos mais nítidos. Ao mesmo tempo, a internet se tornou um buraco negro, afinal, quando alguma coisa viraliza, é praticamente impossível deter o fluxo das informações. Com isso, deve-se repensar a privacidade nesses meios. Com quem compartilhar informações sobre si? E além disso, o  que as outras pessoas poderão fazer ao ter posse dessas informações? Essa é a grande questão do uso das redes sociais na atualidade.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A difícil batalha pelo primeiro emprego!

Foto reprodução: Google

Escutei uma frase hoje que, confesso, me estressou muito: jovem não quer nada da vida.

Mas primeiro, me deixe explicar o contexto no qual essa frase está inserida:

Eu, assim como toda jovem que quer sair da casa dos pais e quer ser "dona do próprio nariz", estava deixando currículos pela cidade em que moro. Em todos os lugares era sempre a mesma coisa: "Oi, tudo bom? Então, vocês estão aceitando currículo? Que ótimo, vou deixar o meu então". Aí vinha a resposta: "Claro, estramos em contato com você". E lá ia eu pra outro lugar deixar mais um currículo.

Em determinado momento, parei em uma lanchonete pra tomar um suco e encontrei uma amiga. Começamos a conversar sobre uma festa que iremos juntas. E falando de vestido pra cá e maquiagem pra lá, uma senhora me faz o seguinte comentário: 'Aí, duas moças bonitas só querendo saber de farra. Deviam dar procurando emprego ao invés de ficarem dando trabalho para os pais".

Eu juro que eu só não retruquei porque minha mãe me deu uma educação muito boa e era uma senhora de 70 anos.

Então, como ela não sabia, eu estava/estou procurando emprego. Mas ela tem noção do quão difícil é entrar no mercado de trabalho?

Quando você acha uma coisa que gosta, a empresa exige um nível de conhecimento que você não possui. Quando encontra algo, o salário é baixíssimo. Porque é incrível como empresa acha que R$300 reais é muita coisa pra se pagar a alguém que saiu ou está terminando a graduação.

Reclamam que jovens não trabalham, mas exigem um candidato de nível altíssimo pro cargo. Quando querem que você trabalhe resolvem pagar R$300 por 40h semanais. Quase que uma exploração. Aí o que a gente faz: continua procurando emprego, andando pela cidade atrás de uma primeira oportunidade de mostrar sua capacidade e não receber pouco pelo trabalho que faz.

Quando à senhora que disse que jovem não quer nada da vida, eu venho lhe informar que eu quero sim. Quero trabalhar de carteira assinada, receber um salário que condiz com minha função e conseguir "ser dona do meu nariz".

Aos empresários que, eu não sei se lerão esse texto, fica meu pedido: Nos deem uma chance de provar nosso valor. Vocês podem se surpreender com o nosso potencial.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Por amores que nunca se vão!

Imagem reprodução: Google

Ontem, relembrando algumas histórias, revivendo alguns momentos, me peguei pensando em quantas vezes eu já "gostei" de alguém. É engraçado pensar nisso (pelo menos, pra mim foi).

Eu nunca fui muito romântica e nem sou de ficar declarando sentimentos aos quatro ventos. Mas me peguei pensando: quantas palavras não ditas eram palavras de amor?

Eu acredito que amores se acabam, mas também acredito naqueles amores que surgem do nada e te marcam pra sempre, pois nunca se vão.

Não se vão porque o sentimento era puro, era único, era verdadeiro. Não se vão, talvez por egoísmo nosso, que não queremos parar de sentir aquele frio na barriga. Não se vão porque não é pra acabar.

Contamos tantos segredos para aquele amor, segredos que deixaram de ser apenas nossos, dividimos tantas coisas, morremos de ciúmes, rimos até a barriga doer, choramos com finais de séries. Como não nos apegarmos a essas memórias? Como simplesmente deixamos isso acabar?

Não dá!

Eu aprendi que não nascemos sabendo amar, aprendemos. E a prática sempre leva a perfeição. Conheço tantas pessoas que depois que terminaram um relacionamento disseram "nunca mais vou me apaixonar". 
Não se torne menos amável após um desamor. O mundo precisa de gente disposta a amar. 

Então, se você já "gostou" de alguém e ainda bate um friozinho na barriga quando pensa nessa pessoa, deixa estar. Foi bom aquele amor que chegou, entrou, sentou, ficou pra um café e não foi embora quando o assunto acabou e nem quando a rotina resolveu aparecer e tomar conta.
Esse tipo de amor é daqueles que se tornaram uma memória boa e um delicioso sentimento.
Hoje, te dedico uma linda história confessa - Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você!

Foto reprodução: Cedida pela autora




Jussara Souza, 22 anos, 
graduanda em jornalismo pela 
Universidade Federal de Juiz de Fora, 
Vice presidente, Diretora de Protocolo e 
Diretora de Imagem pública na empresa 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Poematizando: Hoje é dia da caça

Imagem reprodução: Site HuffPost

Não tem salário, saúde, emprego, transporte de qualidade, segurança, educação, ou dignidade... Mas poxa, vamos fazer um mapa rápido dos nossos bandidos de estimação.

Em São Gonçalo: Panisset e Mulin a qualquer momento podem ser presos. Em Niterói: Rodrigo Neves também. Em Itaboraí: Eles mermo se matam na foiçada.

E no Rio? Ta tudo lindo! ❤❤

Bolsonaro visivelmente vai morrer do coração (vide seu filho no debate). Pedro Paulo não conseguiu porra nenhuma. Não vira nem síndico de lugar nenhum. Osório e Índio não tem aldeia. Cesar Maia tá no sapatinho esperando seus crimes prescreverem pra vagabundo não caguetar ele também... Crivela, não sobrevive dois anos (meu palpite pro bolão). Pezão e seu vice, Dornelles, só se mantém vivos graças ao pacto do PMDB com o capeta, que logo, logo levará essas almas. Ps. O PSDB não existe no Rio e o PT também não, ou seja, duas das três maiores fábricas de marginais do país não têm condições de nos foder.

Continuando... Garotinho tá no hospital sob custódia, pode morrer ou ir pra Bangu (ou as duas possibilidades), o que representa uma vitória para todo norte do Estado! Cabral, nosso querido Cabral! Esse merece uma atenção maior, o fabricante da UPP que matou centenas de nossos irmãos. Que matou o Amarildo, DG, Eduardo... Cabral, esse playboy psicopata encerra sua carreira política da melhor forma possível, PRESO! Ao lado de Cunha são cadáveres da política de nosso Estado. Hoje é dia de cerveja, bandido!!! Mas ainda sobra um, Paes, o bandido Boêmio. Malandro, que de todos é mais 171 e preparado pra nos foder. Menino zoador, que sacaneou Marica: "Aí Presidente....", menino da narina nervosa, famoso por dar a louca nas festinhas na Barra... Esse é o rei no tabuleiro do PMDB-RJ. Esse é o bandido que eu odeio de mais! Esse é o que tá com o cu na nesse momento. É o que vai morrer do coração se alguma criança malvada tocar sua campainha as 6h da manhã, dizendo: "PERDEU PLAYBOY!" (Risos)

A conclusão é a seguinte, estamos fodidos? Estamos. Mas o sorriso tá estampado na cara, parceiro! (Risos)

Hoje é dia da caça!!!!
Foto reprodução: Arquivo

Paulo Henrique Lima - 
Mais conhecido como P.H. Lima, 28 anos, 
fluminense de São Gonçalo, 
MC independente. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Poematizando: Deixa ir

Foto reprodução: Facebook

Em uma das várias conversas com minha mãe, ela me disse que é necessário desapegar daquilo que não nos serve mais. Confesso que desapegar não é uma coisa fácil pra mim (e acho que pra grande maioria da população mundial também não).

Quantas vezes nos apegamos a sentimentos antigos? Quantas vezes nos apegamos a roupas, sapatos que não iremos usar mais? Quantas vezes nos apegamos a pessoas que não compartilham do mesmo sentimento que nós? Quantas vezes desejamos com um futuro diferente e tentamos de tudo para fugir do presente?

Eu imagino a vida como uma grande caixa de lembranças, onde guardamos de tudo um pouco. Eu imagino que, muitas vezes, nós não mexemos nessa caixa e ela continua enchendo, com tudo que guardamos dentro dela. Aquela camisa de futebol que foi do seu avô, aquele primeiro 10 na escola, aquela primeira vitória na faculdade, aquele primeiro beijo na pessoa amada. Acontece, que fomos guardando tanta coisa, que um dia não cabia mais nada naquela caixa. O que devemos fazer então? Jogar tudo fora? Limpar a caixa para colocar outras coisas dentro? Não! Nenhuma medida drástica é necessária.

Temos apenas que desapegar de algumas coisas. Deixe ir embora aquela boneca que você nunca mais brincou depois que descobriu o facebook, desapegar daquela calça jeans que não te serve mais. Ela vai servir pra alguém. Desapega daquele amor que não foi correspondido. Deixa ir!

Para que possamos ser livres de verdade, temos que deixar ir sentimentos, emoções, objetos. Deixa ir o que te prende, o que te mantém cativo. Deixa ir aquele conflito, aquela angústia, aquela mágoa. Não digo que tenhamos que procurar o que fazer para sempre fugir da dor. Digo que temos que viver o agora e colocar naquela caixa de lembranças momentos novos, objetos novos, sentimentos novos. O passado já serviu para o que era necessário. Então, desapega dele também. Vamos nos permitir viver coisas novas. É hora de fazer uma limpa na nossa caixa de lembranças. Depois disso, feche a tampa e se permita viver experiências novas. Podemos nos surpreender com elas! // deixa ir o que não serve mais.

Foto reprodução: Cedida pela autora

Jussara Souza, 22 anos, 
graduanda em jornalismo pela 
Universidade Federal de Juiz de Fora, 
Vice presidente, Diretora de Protocolo e 
Diretora de Imagem pública na empresa 

sábado, 15 de outubro de 2016

Aos mestres com carinho

Escrito por: Hermes C. Fernandes

Imagem reprodução: Google

Haveria vocação mais nobre que a de ensinar? Se houver, quem ousaria pronunciar? Qualquer que seja a atividade na qual estamos envolvidos, alguém teve que se dar o trabalho de nos ensinar.

Portanto, trata-se de vocação primordial, não prescindível, insubstituível. Afinal, conhecimento não se adquire por osmose.
Professores nos deixam marcas indeléveis.

Quem poderia se esquecer de seu primeiro professor, não é mesmo? Aquele que pacientemente lhe ensinou a juntar as letras do alfabeto e formar palavras.

O que é isso, se não magia? Elementos que se misturam para dar forma ao mundo!

É como se o professor saísse direto dos contos de fada para nos apresentar poções mágicas feitas de letras e números. Palavras que criam mundos. Números exibidos em fórmulas que bailam diante dos nossos olhos desafiando-nos a decifrá-los.

O giz é sua varinha de condão. E a cabecinha de cada pupilo é a cartola de onde ele tira muito mais do que coelho e pássaros. Do alto de sua sapiência, ele (a) não apenas nos entretêm com seus números mágicos, mas nos ensina a reproduzi-los lá fora onde a vida acontece.

Sua missão não se atém a transmitir informação. Seu maior desafio é a formação dos que lhe foram confiados. Para além das palavras e fórmulas, o mestre é aquele que nos oferece ferramentas que nos nortearam pelas sendas da existência. Valores que nos acompanharão até que a vida nos dê sua última lição.

Quão grande vulto é o mestre! Que rei ou imperador não precisou de suas instruções? Ele não é um mito, como querem alguns. Mito é quem se diz autodidata, negando-se a transferir os créditos de sua sabedoria a quem de direito: o professor.

Ele é bem mais que um contador de história. Ele é, por assim dizer, o obstetra e parteiro da história. Aquele que traz ao mundo das ideias os que a protagonizarão. O magistério é o útero no qual um novo mundo é gestado.

Ele bem que poderia estar usando seu vasto conhecimento para se enriquecer. Mas preferiu se deixar guiar por ideais infinitamente mais nobres e elevados. Sua maior riqueza é o progresso da humanidade, e este, impreterivelmente, passa pela sala de aula.

Desconfio que por trás da obstinação dos professores esteja o inconfessável desejo de viver para sempre. Tudo me leva a crer que eles tenham descoberto e mantenham guardado este precioso segredo a sete chaves. Espero que não se aborreçam comigo por revelá-lo aqui. O segredo de perpetuar-se é transmitir o que recebeu a outros. Seus alunos os levarão consigo até às raias de sua jornada. Sua esperança é que os mesmos repassem para as próximas gerações tudo quanto houver recebido.

Foto reprodução: Arquivo

Hermes C. 
Fernandes, 46 anos, 
mora na cidade 
do Rio de Janeiro - RJ

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Eu fui PT

Escrito por: Márcio Augusto Costa
Foto reprodução: Facebook

Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula;
Me irritei com as seguidas derrotas;
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo;
Chamei o plano real de golpe;
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.

Eu fui PT por que tinha que ser.
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista.
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.

Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.

Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!

Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT.

Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.

O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.

Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB

Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma

Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.

Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.

Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.

Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro

Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?



Márcio Augusto Costa, 38 anos, 
é advogado e
mora em Brasília - DF 

sábado, 10 de setembro de 2016

Spray, Gás e Repressão

Escrito por: Camilla Araújo
Foto reprodução: Facebook

Meu primeiro spray de pimenta e bomba de gás lacrimogêneo na cara.

Eu decidi escrever esse relato aqui no Facebook, porque eu acho extremamente importante que vocês tenham acesso a o que anda acontecendo aqui em SP. Realmente nunca achei que fosse passar por isso na vida, mas eis o que rolou:

Hoje eu estava no bar, de boa, comendo uma empanada acompanhada de uma Serramalte, e eis que escuto umas bombas, e vejo uns jovens correndo do lado de fora, pela janela de vidro do lugar onde eu estava. Pela movimentação, alguns clientes foram pra porta do estabelecimento (a maioria do lado de dentro mesmo), e uns garçons se prontificaram pra fechar as portas de enrolar. Nisso, jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo na porta do bar (tipo dentro). E como as janelas de vidro já haviam sido fechadas, assim como a porta de enrolar (por causa das bombas da rua), o efeito da bomba começou rapidamente. Todo mundo começou a ficar desesperado, porque o efeito é forte como dizem, especialmente num lugar abafado. Ficar chorando desesperadamente na rua, como já vi nos vídeos aqui pelo Facebook, é uma coisa. Outra coisa é você sentir o efeito disso quando não se tem pra onde ir, e não tem por onde o ar circular.

Após o desespero começar, a falta de ar, e os demais efeitos da bomba, algumas pessoas desesperadas vão na porta questionar a covardia de fazer isso contra pessoas do/no estabelecimento, quando nenhuma SEQUER tinha algo a ver com o que tava rolando lá fora. Nisso, algumas pessoas começaram a filmar (guardem essa informação). Uma mulher acabou se exaltando mais, talvez pela bebida mesmo, e começou a xingar os policiais de covardes, enfim. Eis que entram no bar, e começam a arrancar ela pelos braços, batendo com cassetete, enquanto jogam spray de pimenta na cara de TODO MUNDO QUE ESTÁ EM VOLTA, OLHANDO. NINGUÉM CHEGOU PERTO OU ENCOSTOU. E OS QUE ESTAVAM PERTO, ACABARAM APANHANDO TAMBÉM. APENAS PERTO. O marido dela, e uns amigos, que estavam tentando puxar ela de volta, nem vi o que rolou com eles, porque nessa hora eu já não estava enxergando direito. Como eu estava perto, mas não perto o suficiente, só levei spray na cara mesmo. De graça. E encurralada. E aí somatizem o efeito do gás, do spray, do espaço pequeno e fechado, e do fato da única saída ser a que está cheio de covardes, sorrindo (!!!!! essa foi a parte mais assustadora da situação), e você não ter pra onde ir. Aí os garçons se prontificam pra distribuir vinagres, enquanto as meninas (assim como eu), correm pro banheiro minúsculo e sem saída de ar, pra vomitar ou algo assim, porque tava todo mundo desesperado e passando mal mesmo.

"Beleza". Eles levam mais umas duas pessoas presas. E saem. E aí o pessoal começou a sair, pra tomar um ar, porque tava impossível ficar, e achamos que eles não voltariam. Quando saímos, voltam uns policiais, entram de novo e pegam mais uma mulher presa, porque ela estava filmando (sim, esse foi o argumento usado por eles, porque eu escutei). E quando questionados sobre alguém ser preso por FILMAR uma situação, um escroto fardado responde que ela testemunhou, então ia ser levada presa, sim - na hora, pensei: Ué, mas todo mundo é testemunha aqui, não?????

Gostaria de repetir que, enquanto faziam isso, eu observava um ou outro policial rindo. E, covardemente, uma ainda soltou: "Cadê os bravões agora????".

Não é exagero quando citam ditadura, galera. Acordem!!!!!!!!!!!! Isso é porque foi na Vila Madalena, num bar arrumadinho, em que ninguém fez nada. Imaginem o que acontece sem que nós saibamos!


Camilla Araújo

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Uma andorinha só não faz verão

Escrito por: Hermes C. Fernandes
Foto reprodução: Facebook

Finalmente, a tão esperada estação. E naquele ano, ela veio com tudo, elevando as temperaturas além do esperado. Devo confessar que sou um carioca atípico. Prefiro dias nublados. Temperaturas amenas. E se tiver que escolher entre praia e montanha, já pode imaginar qual será minha opção.

Naquele verão, fomos surpreendidos com a chegada de um casal de andorinhas em nossa casa, que aproveitou a tubulação inativa de gás para improvisar seu ninho.

Certa manhã, uma brisa fresca soprava pela janela da cozinha do nosso apartamento que ficava no segundo andar de um edifício de classe média numa pacata rua de paralelepípedos da zona oeste carioca. Pus-me em frente à janela para aproveitar o frescor. Quando o vento começou a se intensificar, decidi fechá-la. Foi então que percebi um casal de andorinhas que se refugiava na tubulação inativa de gás de nossa área de serviço. Discreto, fiquei à espreita e observei que cada vez que saíam e voltavam, traziam alguma coisa no bico, pelo que, conclui que estavam a construir um ninho.

Numa madrugada calorenta em que nem o ar-condicionado estava dando vasão, fui à cozinha beber água e pude ouvir o barulho que vinha da tubulação, indicando que os filhotes haviam nascido. Não resisti e saí acordando meus familiares para contar-lhes as boas novas, mas longe de demonstrarem a mesma euforia, um a um se aborreceu por ter interrompido seu sono por algo que consideravam tão banal.

Não muito tempo depois, algo inusitado aconteceu. Pela minha conta, foram três os filhotes que nasceram. Um deles caiu do ninho, mas graças ao parapeito da janela de nossa área de serviço, não se esborrachou lá embaixo. Ele já estava bem crescidinho, com as penas trocadas, porém, ainda não desenvolvera a habilidade necessária para voar. Os pais ficaram visivelmente desesperados. Passavam o dia inteiro adejando o filhote. Às vezes, um deles pousava ao seu lado, dando a impressão de que lhe dava um sermão por haver deixado o ninho prematuramente.

Tive pena da pequena andorinha. Não conseguia retornar ao ninho, nem tampouco abrir as asas e voar.

Resolvi dar uma mãozinha à família. Mas toda vez que tentava pegar o filhote para devolvê-lo ao ninho, sua mãe vinha furiosa em minha direção. Por respeito, preferia retroceder.

Confesso que me vi refletido naquele filhote destrambelhado.
Como eu poderia ajudá-lo?

Percebi que no parapeito do primeiro andar havia marcas estranhas. Peguei minha câmera e dei um zoom para tentar discernir do que se tratava. Eram restos mortais de outras andorinhas que provavelmente caíram da mesma tubulação devido à sua discreta inclinação. Conclui que não era a primeira vez que andorinhas faziam seu ninho ali, e que, possivelmente, aquelas andorinhas que agora elegeram nossa tubulação de gás como lar eram sobreviventes de ninhadas anteriores. Bastou uma pesquisa rápida no google para saber que as andorinhas sempre voltam para o seu lugar de origem para ali fazerem seus ninhos.
Será que aquele filhote teria o mesmo destino? Eu estava disposto a impedir que isso acontecesse, mas não sabia como evitar.

Seus pais tentavam estimulá-lo a abrir suas asas e voar. Era mais fácil projetar-se para fora do que tentar um voo vertical e retornar ao ninho. Todas as tentativas foram frustradas.

Num dado momento, aproveitei a ausência da mãe que provavelmente saíra em busca de mais comida e consegui capturar o filhote. Desespero total! Ao entrar em nossa casa, o filhote escapou da minha mão e se escondeu debaixo da máquina de lavar. Tive que recorrer a um cabo de vassoura para tirá-lo de lá, manuseando-o com cuidado para não machucá-lo.

Quando, finalmente, fui devolvê-lo ao ninho, colocando-o na boca da tubulação, ele simplesmente abriu as asas e saiu voando em disparado. Imediatamente, apareceu sua mãe que saiu voando atrás dele. Pouco tempo depois, ela voltou sozinha. Nunca mais aquele filhote voltará ao ninho, a não ser para reproduzir. E assim, o ciclo da vida se perpetua.

Foto reprodução: Arquivo


Hermes C. Fernandes, 46 anos, 
mora na cidade 
do Rio de Janeiro - RJ 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Diretas já? Já passei por essa fase

Escrito por: Maurício Campos dos Santos

Foto reprodução: Facebook

Mas foi há mais de 30 anos atrás. Na época, estudava na PUC/RJ (4 º ano de engenharia) e participei ativamente da campanha das Diretas, através das organizações de base que surgiram (os CPDs, comitês pró diretas, que acabaram sendo algo mais amplo e organizando lutas diversas em comunidades, escolas, universidades, etc.). Na foto, tem aquela faixa enorme, DIRETAS JÁ/PUC, que ajudei a pintar, mas no dia (o lendário dia da manifestação de 1 milhão de pessoas na Pres. Vargas, em abril de 1984) eu estava segurando mesmo outra faixa, meio azulada, que não se vê muito bem na foto, mas está adiante da grande e trazia o lema O POVO QUER VOTAR, ABAIXO A DITADURA MILITAR. Sim, era verdade, ainda vivíamos sob regime militar, embora já bem enfraquecido pelas mobilizações populares que vinham crescendo desde 1978/79. Já era militante radical na época, não acreditava em revolução pelo voto, mas diante do regime dos generais exigir diretas já, ou seja, atropelar a tal transição lenta e gradual que os militares propunham, era realmente subversivo. Tanto que o governo do Figueiredo baixou estado de sítio no dia da votação da emenda das Diretas no congresso, houve muita prisão e porrada, e a emenda foi rejeitada.

Eu, ingênuo militante de 21 anos na época, não era tão ingênuo para achar que a emenda passaria naquele congresso reacionário, mas pensava que, diante da rejeição, o povo se revoltaria e haveria grandes levantes por todo o país. Nada disso, o povo chorou, chorou, e ficou por isso mesmo. Os partidos se rearranjaram, Tancredo Neves foi eleito no colégio eleitoral, mas quem assumiu mesmo foi o Sarney. Já deveria ter concluído, por aquela experiência, que essas bandeiras que jogam tudo no processo eleitoral são como profecias auto-realizáveis, podem ser conquistadas ou não, mas acabam conduzindo toda a luta popular para o valão estagnado da disputa institucional.

Felizmente, a revolta e a combatividade do povo e seus movimentos na época era muito grande, e um a um os planos de ajuste do Sarney foram inviabilizados. Entre 1984 e 1989 houveram lutas épicas, incluindo uma greve geral de base, organizados por comitês de greve enraizados nos locais de trabalho e nos bairros, em parte inspirados na experiência dos CPDs, que deixaram muito acuada a classe dominante branca burguesa. E, graças a essas lutas, que tiveram seus mártires e heróis (como os operários assassinados pelo Exército em Volta Redonda, entre muitos outros), foi aprovada uma Constituição consideravelmente progressista em 1988, apesar da composição reacionária do Congresso Constituinte, onde a bancada do PT, por exemplo, era quase desprezível. Não foi o voto e a eleição, mas a luta direta que garantiu a maioria dos (ainda muito frágeis) direitos que temos hoje, conquistados nesse período, e em parte também nos anos de resistência aos governos Collor, Itamar e FHC, mas então o quadro da organização da luta popular já era outra…

Em 1989 finalmente aconteceram as diretas para presidente, Lula foi candidato e através de sua campanha, grande parte espontânea e não controlada pela máquina do PT (muito incipiente ainda), houve a oportunidade de uma contraposição de imaginários políticos e sociais inédita até então. Tratava-se de propor a eleição de um cara do povo, nordestino, numa política desde sempre dominada por elites letradas e canalhas. Havia os bordões de campanha oficiais, “sem medo de ser feliz” e tal, mas havia a agitação de base que fazíamos nas periferias, era eleger o “peão barbudo” contra os almofadinhas da política, cujo símbolo maior era o playboy do Collor. Era, pelo menos simbolicamente, muito subversivo.

Mas então o inesperado aconteceu, Lula passou para o segundo turno, as alianças se refizeram atabalhoadamente, o PT começou a fazer concessões, mas o ímpeto da campanha de base era tal que nem ligávamos muito para isso, era um certo êxtase ver que nosso discurso brutalmente subversivo pudesse ser feito tão abertamente, e era escutado! Lembro de um comício do Lula em São Gonçalo onde ele falou que ali não tinha só eleitores, e sim combatentes revolucionários (claro que ele, já malandro político, não falava essas coisas para plateias de classe média), e foi um júbilo na multidão.

Mas, Lula perdeu, e o povo chorou, chorou, novamente. Só que o gostinho da vitória eleitoral ficou no paladar da esquerda partidária, e a partir daí tudo, com poucas e honrosas exceções (o MST nos seus tempos áureos, por exemplo), era conduzido nos movimentos populares tendo em vista as próximas eleições. A viabilidade eleitoral do PT cresceu na mesma proporção da burocratização e perda de combatividade da grande maioria dos movimentos. A última greve geral digna desse nome aconteceu no Brasil em 1991, mas já foi bem mais fraca que a de 1989, e com muito menos organização autônoma de base. Apesar de tudo, ainda tínhamos alguma força, e boa parte das medidas neoliberais de Collor e FHC não puderam ser implementadas totalmente. O programa de privatizações, por exemplo, só pode ser completado depois… por Lula e Dilma. O MST organizava ocupações nesse período e conseguiu conquistar mais assentamentos na era FHC do que… sob Lula e Dilma.

Qualquer inventário de conquistas mais estruturais realizadas pela luta popular, que são muito poucas, é verdade, mostrará que a maioria foi obtida ANTES do primeiro governo Lula. Não havia muita “esquerda no poder”, mas havia luta e organização popular, ainda que cada vez mais detonada pela estratégia eleitoral da maioria da esquerda. Mesmo políticas que vieram a ser implementadas em maior escala na era Lula, e que podem ser consideradas estruturais, como as cotas sociais e raciais nas universidades, já vinham sendo elaboradas e em parte conquistadas antes pelos movimentos. Pouca coisa devemos a eleições, mas muita coisa devemos às lutas diretas.

Por outro lado, o empenho das esquerdas na administração do Estado cortou absolutamente a possibilidade de ajustarmos contas com o aparelho policial militar terrorista do mesmo. Não só nenhum torturador e assassino da ditadura de 64 foi a julgamento por anos, até recentemente, mas assistimos, depois de 1989, ao início da tenebrosa Era das Chacinas no Brasil, que ainda continua. Enquanto os cadáveres de Acari, Vigário Geral, Candelária, Nova Brasília, Carandiru, Corumbiara, Eldorado dos Carajás, entre muitos outros, iam se acumulando, a esquerda ia se tornando “respeitável” o suficiente para gerir inclusive essa máquina de morte. Os efetivos policiais do Brasil expandiram-se como nunca durante a era Lula e Dilma. A PM, longe de ser desmilitarizada, fortaleceu-se.

A última eleição da qual participei, embora fazendo uma campanha muito tímida, foi em 1990, nem me lembro direito em quem votei (mas não foi no Brizola) (Risos). Nem mesmo as eleições municipais do Rio em 1992, que tiveram uma carga simbólica épica parecida com a presidencial de 1989 (Benedita da Silva, negra, mulher e favelada, foi candidata a prefeita), me fizeram mudar de opinião. Benedita, como se sabe, elegeu-se vice-governadora de Garotinho em 98, e acabou governando o Estado por alguns meses, uma passagem tão impopular que, quando perdeu as eleições de 2002 para Rosinha Garotinho, teve mais votos nas classes A e B. Os pobres que votaram em massa em Lula, e lhe deram o primeiro mandato presidencial, aqui no Rio preferiram a mocinha branca evangélica à negra favelada (que já havia deixado de ser favelada há tempos, claro, mas continuava presbiteriana, uma ramo protestante relativamente progressista por aqui). Foi como um fim de uma era na simbologia eleitoral do Brasil.

Quando vejo jovens de hoje confiantes na bandeira de Diretas Já, como forma de impedir o retrocesso anunciado no governo Temer, eu entendo, de certa forma. Afinal, não viveram e pouco conhecem toda essa história. Mas quando vejo gente que sabe disso tudo, viu isso tudo, e sabe somar dois com dois, só posso ficar abismado. Sim, temos que resistir a medidas anti-populares perversas que estão sendo tramadas. Mas já soubemos fazer isso no passado sem eleições, e na verdade as eleições sempre atrapalharam nossa capacidade de resistir. Basta redescobrirmos nossa força, a força de nossa organização de base e nossa combatividade. E não cairmos no canto de sereia de quem vive, respira e se alimenta de eleições. Pois deles já experimentamos o suficiente.

Foto reprodução: Facebook 

Maurício Campos dos Santos, 53 anos, 
mora em Niterói - RJ 
e trabalha como Engenheiro

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Urnas ou ruas? A saída é abandonar o sistema

Escrito por: Antonio Newlands
Imagem reprodução: Google

Por que é contraditório recusar-se a votar mas ir às ruas nas manifestações? Simples. O que é uma manifestação, senão uma reivindicação grupal às autoridades constituídas? Ora, se elas não tem legitimidade em razão do processo eleitoral ser uma farsa do sistema, então não faz sentido cobrar nada delas; não se reivindica absolutamente NADA a ninguém em quem não se reconheça LEGITIMIDADE para atender às reivindicações, logo, ir às ruas É SIM admitir que as autoridades nas quais não se votou são legítimas.

O que fazer então? ABANDONAR O SISTEMA, sair desses nefandos depósitos de mão de obra barata vulgarmente conhecidos como "cidades" e ir para núcleos rurais auto suficientes, nos quais tudo é feito e decidido pela coletividade dos que vivem em tais núcleos. Utopia? Desculpe a franqueza, mas nada é mais utópico do que acreditar que ESTA civilização altamente predatória, injusta e hipócrita, possa ter algum futuro que não seja o caos e o colapso total causado pelas mudanças climáticas, o que não vai demorar mais do que alguns anos. Não há outra saída para a Humanidade a não ser a auto suficiência.




Antonio Newlands, morador de Nova Igaçu - RJ

domingo, 4 de setembro de 2016

Quanto vale uma morte?

Escrito por: Roberto Martins Lamparina
Foto Reprodução: Facebook
O preço de uma vida não é muito simples de se calcular, mas aqui em Votuporanga a morte tem preço certo, e diga-se de passagem, com requintes de crueldade e abusividade.

Para quem não se lembra ou ainda estava nas trevas em 2011, eu editava um jornal independente (independente mesmo, pois não tinha anúncio publicitário e os poucos doadores voluntários não pautavam as notícias) e uma das manchetes foi um acordo de doação de duas ambulâncias por parte da concessionária que detém direito de exploração do Cemitério Parque Jardim das Flores, para que a concessão fosse renovada.

Na época o jornal protocolou requerimento junto à PMV sobre o destino atual daquelas ambulâncias doadas como parte desse acordo citado, tendo sido respondido que estavam lotadas em órgãos da administração, porém descaracterizadas da função adaptada de ambulância.

Como estamos no meio dessa guerra de interesses para que outra funerária possa explorar o serviço na cidade, é bom que o povo saiba o poder que o mercado da morte detém e o tipo de argumentos que se valem os empresários do setor para que possam continuar explorando o nicho da forma mais fechada possível, pois é um mercado milionário, indispensável e altamente lucrativo.

Numa outra reportagem descobrimos que existem muitas irregularidades na prestação desse serviço por parte da concessionária, que impõe a uniformização desses serviços na medida do que lhe seja conveniente.

Por essa e por outras, é que o mercado precisa de mais competitividade, melhorando assim a qualidade dos serviços e o preço praticado pelo setor, pois morrer em Votuporanga, como tudo por aqui, é mais caro do que em outros lugares e está pela hora da morte.

Sabemos que sempre existirá um preço há ser pago por interesses assim tão lucrativos, estando esse preço devidamente explícito ou mesmo na forma de acertos e conchavos feito na penumbra, sempre se sobrepondo ao interesse público. Mas, não podemos nos calar diante do óbvio – Quanto mais empresas na disputa pelo nicho, mais concorrência entre elas e mais vantagens para nós que somos obrigados a pagar caro até para morrer!!!

Foto Reprodução: Facebook

Foto reprodução: Facebook


Roberto Martins Lamparina, 47 anos, é candidato á prefeito de Votuporanga - SP pelo PSOL